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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Somewhere...

27.05.22, Maria Soares
  Thunder (continuação)   Largou-me bruscamente. Precipitei-me para a frente em três ou quatro passos atabalhoados e com a força do impulso empregue, desequilibrei-me e caí. Fiquei por momentos, amarfanhada no chão. Com uma vontade enorme de chorar. A desejar veementemente ser uma criança outra vez, a passear de mãos dadas, com mos meus pais, naqueles recantos únicos aonde costumavam levar-me, ignorante que me aguardava (...)

Shelter

26.05.22, Maria Soares
    Thunder (continuação)   — O mesmo que tu, fica descansado. — Atirou-lhe entre dentes. — Muito bem! Então como aconselhaste há instantes, assume quem és! — já no limiar da porta e sem se voltar para trás, acrescentou. — Conta-lhe porque está aqui! E... não leves muito tempo! Começo a ficar impaciente com os teus métodos. "Era impressão sua ou os papéis tinham-se invertido. O que antes supusera no controlo da situação, não passava de um subalterno? Será (...)

Mirrrors

26.05.22, Maria Soares
    Thunder (continuação)   Estavam e, em simultâneo, não estavam no salão! A única certeza é que não os conhecia e aquele jogo de espelhos era doentio. Um toca e foge entre caçador e presa, que exigia um esforço descomunal entre o permanecer concentrada no que era real e não; na acção a desenrolar-se no espelho, que (...)

Demons

23.05.22, Maria Soares
    Thunder  1.ª Parte   Impaciente descartou a boa educação. Apesar de sentir-se incomodada e de o seu sexto sentido a aconselhar a ir com muita calma, acendendo todas as luzes vermelhas e fazendo disparar todos os alarmes num raio de quilómetros, levantou-se, disposta a pôr termo naquela charada. Mal abriu a boca... as palavras estudadas no breve interregno em que o seu interlocutor se deslocou até (...)

Thunder

21.05.22, Maria Soares
    Gostava de trovões. Precipitava-se para a janela quando a trovoada se abatia sobre a cidade. A mãe assustada corria a puxá-la para trás advertindo-a do perigo, entre um benzer apressado e um evocar de Santa Bárbara! A custo e de cara feia obedecia e ficava a olhar de longe o clarão, cirandando ao som da chuva, a bater palmas quando a casa estremecia e a luz em pânico, por momentos, também, afrouxava, parecendo correr a esconder-se com o rabo entre as pernas. Era isso que (...)

Carrie..

27.01.22, Maria Soares
    Tinha-a conhecido através da sobrinha, da mesma idade dela. Achara-a engraçada e afinal as idades de ambos não divergiam assim tanto. Tinha uma conversa sensível e inteligente. Mostrava ser uma miúda atinada. Envolta numa aura de mistério e solidão. Discreta, falando na altura devida se interpelada.  A sua parente prevenira-o que, se fosse esperto, ficava longe ao perceber o interesse crescente na amiga. Ela atravessava uma desilusão amorosa. Não merecia que a tentasse (...)

Path - (A Parábola dos Livros)

27.01.22, Maria Soares
    Como evadir-se sem "agitar as águas" e encontrar um sítio seguro? Mais e principalmente! De onde viera a telha? Não havia indícios. Porque resolvera cair aos pés dela; por pouco, atingindo-a na cabeça e na sua casa? Ah, não! Não ia nessa coisa de "escolhidos, predestinados" nem lá perto. Neste mundo não existiam essas veleidades. E ela não era assim tão afoita, nem indicada para a "missão". Às vezes assustava-se com a própria sombra. A existir uma tarefa, envolveria (...)

Leubh - (A Parábola dos Livros)

21.01.22, Maria Soares
      Nada a ligava aquele que se atrevera a indiciar algo errado com o mundo actual. Porém... saber que alguém mais jovem que ela, atolado no lodo destas condições de indiferença e vazio rebelara-se, começou a tonar conta de tudo, deixando-a intranquila e a martelar-lhe a cabeça dia e noite.   Não existia quem corroborasse a história do rapaz. A acontecer, fora há muito tempo. E ser verdade tal coisa, tinha tantas hipóteses como ser mentira. Uma lenda urbana. O devaneio (...)

A Parábola dos Livros?

19.01.22, Maria Soares
    Nascera num mundo onde não havia livros nem qualquer laivo de imaginação. As coisas eram preto no branco. Mesmo as coloridas tinham um ar desmaiado. A população era toda magra, alta, de feições aceitáveis, onde nunca se via um sorriso. Abaixo da testa o olhar mecanizado era transversal, mudasse a cor da íris e o tamanho das pestanas. Neste mundo todos se relacionavam sem paixão. Sem cerimónias de corte ou posteriormente de enlace. Procriavam, raramente, como faziam o (...)