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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Por isso... não falo da escuridão a quem só percebe de claridade!

19.05.22, Maria Soares

 

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fotografia minha

 

Pendo mais para a escuridão que para a luz. A claridade metálica fere-me os olhos. A penumbra afaga-os. Sussurra-me ao ouvido: "Calma, está tudo bem!"  
Assegura-me que as chamas vorazes, não lamberão os campos, nem as encostas dos montes! Ambos continuarão verdes, dentro frescura possível, que debaixo de um sol implacável a terra ou o homem obtém. Descansa-me sobre o futuro árido. A dor excruciante de não cumprimentar mais a chuva. Antecipar a sua chegada, no ar. 
Admira-se alguém porque manifesto amiúde conseguir cheirar e antecipar, no ar, tanto a chuva como o calor! Censura-me. E teima ser impossível.  
Por isso não falo da escuridão a quem só percebe de claridade. De como é possível cheirar ambos, tanto, como ele ver luz em mim. 
Bendigo o dia a seguir à noite! Acolho o sol. Mas na sombra é o meu lugar! Gosto de respirar ao frio, em dias de sol. Dele outonal, ou invernoso nos dias em que luz e escuridão se abraçam e resulta aquela mescla de um e outro, que faz parecer o ar que temos dentro... fumo, ou névoa!