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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

O milagre da miserabilidade na escrita

22.10.21, Maria

 

 

 

How Hemingway did it… – My Blog

 

As grandes obras literárias, mas não só, saíram quase todas de corações destroçados. Homens e mulheres encornados. Todos os amores frustrados, proibidos, mal esclarecidos nas eras em que sucederam, tendo  na distância e na contrariedade o combustível ideal para, o amante apartado do ser amado, inflamar-se de paixão conseguir alcançar o expoente da palavra.   
Do desejo reprimido e da não consumação do acto sexual. Dele quando consumado derivar do logro, acarretando a desilusão e o despoletar da raiva. Da morte do "herói" ou "heroína" do outro, tantas vezes em situações trágicas. Tanto mais eloquentes, quanto desvalido e mal sucedido fosse, na vida. Também, das próprias drogas "auxiliadoras" que uma vez ingeridas, fomentavam a inspiração. 
Todos escrevem(os) com relativa excelência quando desesperados. Impedidos de consumar o nosso querer. Terrivelmente decepcionados. Absolutamente convencidos de que nunca, existirá alguém que substituirá quem nos dilacerou, ou aquele/a que encaixe na nossa metade. 
Enfim... pode-se escrever muito bem se correspondido, mas escrever-se-à sublimemente se nos sentirmos uns trapos!
É mais sumarenta e empática para quem lê, a escrita do desenganado pela esperança, atormentado e devastado pelas tempestades da vida, do que a daquele que caminha sobre a constância floreando sentimentos, despendendo muita mais energia para chegar à alma de quem lê e pouco, ou nunca se identifica.