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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Leubh - (A Parábola dos Livros)

21.01.22, Maria

 

 

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Nada a ligava aquele que se atrevera a indiciar algo errado com o mundo actual. Porém... saber que alguém mais jovem que ela, atolado no lodo destas condições de indiferença e vazio rebelara-se, começou a tonar conta de tudo, deixando-a intranquila e a martelar-lhe a cabeça dia e noite.  
Não existia quem corroborasse a história do rapaz. A acontecer, fora há muito tempo. E ser verdade tal coisa, tinha tantas hipóteses como ser mentira. Uma lenda urbana. O devaneio de um louco!
Não obstante, a haver quem, nunca se identificaria; tampouco alinharia a seu lado. O que não era desejável! Antes só, que mal acompanhada. A trair-se, seria a única responsável.
Havia alturas em que pensava que viver assim não era mau de todo. Não havia miséria, doença, catástrofes de qualquer género, disputas por poder, diferença de classes. Também não se adorava nenhum profeta ou deus, que gerasse controvérsia. Sentia antagonismo por ninguém. As casas e roupas eram uniformizados. Todos tinham o que a todos estava destinado. Quarenta anos davam e sobejavam para "apreciar" um mundo perfeitamente amorfo. Para quê pensar além? 
Além era mais vazio. Tudo igual. 
Não! Não era. Percebeu-o quando lhe caiu uma telha arcaica aos pés, fragmentando-se em pedaços. Primeiro, nunca em casa alguma, naquele tempo ou outro, caíra uma telha. O telhado das casas era de platibanda e as paredes de vidro e metal.
Segundo, a telha não era uma telha qualquer! Ao recolher rápida e silenciosamente os cacos, reparou que quando a luz incidia num certo ângulo, muito disfarçados, havia uma espécie de símbolos inscritos, mesclados com linhas. E num dos pedaços medianos, a palavra "leubh".
Urgia esconder aquilo! Ir para qualquer lado anónimo, quando pudesse, cuidando não ser vista e montar um puzzle. Depois… o pior!