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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

A Parábola dos Livros?

19.01.22, Maria Soares

 

Mundo espiritual é uma espécie de universo paralelo? | Rádio Boa Nova

 

Nascera num mundo onde não havia livros nem qualquer laivo de imaginação. As coisas eram preto no branco. Mesmo as coloridas tinham um ar desmaiado. A população era toda magra, alta, de feições aceitáveis, onde nunca se via um sorriso. Abaixo da testa o olhar mecanizado era transversal, mudasse a cor da íris e o tamanho das pestanas.
Neste mundo todos se relacionavam sem paixão. Sem cerimónias de corte ou posteriormente de enlace. Procriavam, raramente, como faziam o resto; sem emoção ou finalidade. 
Era um mundo, redondo. Que se movia! Como fazia há milhões de anos, anteriormente habitado por gente muito diferente desta, de que se ouviam rumores. Infundados, claro! Nenhum habitante deste mundo poderia ter sido antes, como diziam, à boca calada, os que não tinham amor à vida. 
Sabiam de antemão que mal falassem do mundo antigo e se prestassem a "ilustrá-lo" quer por palavras ou traços, a sua sorte estava talhada. Durante cem anos só um, o tentou.
Neste mundo não havia muita gente. A "esperança" de vida rondava os 40 anos e quase não se procriava. Simplesmente não acontecia e conseguir conduzia a um trilho espinhoso. Extinguira-se, portanto a hipótese e ninguém o contestava; aceitando-o com normalidade.
Também ninguém sentia necessidade de se perpetuar. Jamais, naquele mundo, alguém era perpetuado. Não existiam rituais, nem depósitos de corpos em cemitérios ou outros, aonde alguns rumassem para cultuar os seus. Se bem estão lembrados, não havia sentido de grupo, parentesco, qualquer emoção!  
A música que ouviam era... digamos, de uma forma muito abrangente, "clássica;" sucedia diariamente, à mesma hora, durante duas. Depois... silêncio. Um som calmo que não permitia ou convidava à expressão corporal, nem vocal. Uma música baça, monocórdica, fundamentalmente autorizada para manter o "ritmo" morto da vida. Um verdadeiro elogio à monotonia.
Nada que estimulasse a sociedade, visasse despertar as pessoas, existia naquele mundo. Quarenta anos era o prazo de permanência. Ponto final.
Mas um dia... mais precisamente no dia em que completava 39 anos, descobria algo que mudaria tudo! Um quase acidente desvendou-lhe o que poderia ter acontecido aos livros? O prazo era curto, isso era! Mas ainda lhe restava um ano. Tenaz e discreta, usá-lo-ia para ir atrás da verdade.   

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