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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Not Endless but almost...

02.12.21, Maria
    Sempre gostei daquelas estradas com rectas que nos parecem intermináveis, ladeadas por floresta, em que ao fundo do horizonte normalmente sombrio, de uma forma benigna, vemos surgir o contraste da claridade. A lua recém-nascida, ou o sol, já no ocaso.  Sempre me foi sugerido ao percorrê-las e, a maior parte são belíssimas, que a vida é isto. Uma estrada percorrida sem saber nem vermos o que nos espera, com algo de esperançoso no fim.     

Suspensa num adeus que não te disse...

30.11.21, Maria
      Faz hoje um ano, por esta hora, eu tinha o meu dia delineado. Tão delineado quanto alguém que não decide nada da sua insignificante existência pode pensar, ter tudo controlado. Acabáramos de falar e, não sei por que motivo, fui cirurgicamente parva. Como às vezes consigo ser! Ela... preocupada. Sempre! Com o meu irmão que fora fazer uma colonoscopia. Comigo, por não ligar nenhuma à saúde e termos vários casos de cancro na família, com morte pelo mesmo. Com as netas e (...)

Broken

29.11.21, Maria
    Submersa por camadas de dor e desorientação, sentei-me no fundo do poço de pernas cruzadas a olhar o vazio, dando-me por companhia silêncio e lágrimas. Passaram-se dois dias sem nada tugir nem mugir neste buraco que me serve de bunker e  protege da radioactividade dos pensamentos e sensações negativas que me bombardeiam. Ao terceiro dia, porque parece que não só comigo, mas antes, o terceiro dia teve carga mística, percebi que Linkin Park, diz o que preciso ouvir e (...)

A Rebate

24.11.21, Maria
    O cérebro é-te torre sineira de um mosteiro em ruínas. Esta semana é a estrada deserta que te conduz à estalagem da orfandade inequívoca. Não adianta esconderes-te! Não há lugar capaz, onde a realidade trágica não te alcance, martelando-te aos ouvidos com um gongo, num gozo doentio:  "Agora... estás, só! Estás, por ti. Entregue aos bichos. Que tal te está, a saber? Como te estás, a sair?" Mordes os lábios. Ranges os dentes e não dás confiança. Tampouco resposta. (...)

A Mochila Azul

20.11.21, Maria
          Não sei se a mochila azul merece um escrito. Mas a mochila azul, com alças pretas, envernizada como uns sapatos, marcou a sua época às minhas costas. Para cima e para baixo, quatro vezes ao dia, sendo as do meio para almoçar e regressar à escola, ela lá se montava no meu arcaboiço; mais, ou menos cheia de livros, cadernos e estojos, levando-me, e eu a ela, curvada ladeira acima. Ladeira que sinceramente era uma rua, como ainda é, alcatroada com passeio dos lados. S (...)

A bunch of shit!

20.11.21, Maria
      Shitbergs   Sinceramente! Não mudam. Por mais anos que passem, os registos são sempre a mesma merda! A decrepitude de espírito maior, achando-se naturalmente o suprassumo da barbatana. Como há gente que aplaude e alimenta trampa pura escrita, devia ser analisado.         

Escrever...

18.11.21, Maria
    Escrever não te salvará a vida, mas manter-te-á ocupado; sobejamente tranquilo e distraído, até a morte chegar. Não te dará de comer nem de beber. A menos que vendas o que escreves, sem que para isso tenhas de vender-te. A acontecer tal, é melhor equacionares se racionar comida e bebida, não te trará mais benefícios, uma consciência desanuviada  e uma existência digna.    

Enguia eléctrica

17.11.21, Maria
    Levantei-me com vontade de mandar alguém à merda. Agora deem-me um par de bofetadas por favor,  a ver se paro de cintilar. Até ofusco o nariz do Rudolfo. Coitado…