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Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Narrativas

Fosse eu apenas seria brando, na que escreve não tenho mão.

Shelter

26.05.22, Maria
    Thunder (continuação)   — O mesmo que tu, fica descansado. — Atirou-lhe entre dentes. — Muito bem! Então como aconselhaste há instantes, assume quem és! — já no limiar da porta e sem se voltar para trás, acrescentou. — Conta-lhe porque está aqui! E... não leves muito tempo! Começo a ficar impaciente com os teus métodos. "Era impressão sua ou os papéis tinham-se invertido. O que antes supusera no controlo da situação, não passava de um subalterno? Será (...)

Mirrrors

26.05.22, Maria
    Thunder (continuação)   Estavam e, em simultâneo, não estavam no salão! A única certeza é que não os conhecia e aquele jogo de espelhos era doentio. Um toca e foge entre caçador e presa, que exigia um esforço descomunal entre o permanecer concentrada no que era real e não; na acção a desenrolar-se no espelho, que (...)

Demons

23.05.22, Maria
    Thunder  1.ª Parte   Impaciente descartou a boa educação. Apesar de sentir-se incomodada e de o seu sexto sentido a aconselhar a ir com muita calma, acendendo todas as luzes vermelhas e fazendo disparar todos os alarmes num raio de quilómetros, levantou-se, disposta a pôr termo naquela charada. Mal abriu a boca... as palavras estudadas no breve interregno em que o seu interlocutor se deslocou até (...)

Thunder

21.05.22, Maria
    Gostava de trovões. Precipitava-se para a janela quando a trovoada se abatia sobre a cidade. A mãe assustada corria a puxá-la para trás advertindo-a do perigo, entre um benzer apressado e um evocar de Santa Bárbara! A custo e de cara feia obedecia e ficava a olhar de longe o clarão, cirandando ao som da chuva, a bater palmas quando a casa estremecia e a luz em pânico, por momentos, também, afrouxava, parecendo correr a esconder-se com o rabo entre as pernas. Era isso que (...)

Por isso... não falo da escuridão a quem só percebe de claridade!

19.05.22, Maria
  fotografia minha   Pendo mais para a escuridão que para a luz. A claridade metálica fere-me os olhos. A penumbra afaga-os. Sussurra-me ao ouvido: "Calma, está tudo bem!"   Assegura-me que as chamas vorazes, não lamberão os campos, nem as encostas dos montes! Ambos continuarão verdes, dentro frescura possível, que debaixo de um sol implacável a terra ou o homem obtém. Descansa-me sobre o futuro árido. A dor excruciante de não cumprimentar mais a chuva. Antecipar a sua (...)

Lugar à Sombra!

18.05.22, Maria
    Escreve-se entre gente tão importante e, que vemos ir de vento em popa diariamente, qual vela enfunada em veleiro, que nos sentimos mínimos. Minúsculos e insignificantes! Sem direito a sequer ousar dizer de nós! O embaraço! A vergonha do ridículo, mesmo, por exprimir algo simples leva-nos a ponderar. Para quê? O que faço aqui? Uma triste figura dissecada à vírgula, que se apõe livremente sem regras, como sem grande meticulosidade se escreve; apenas porque é bom! Liberta! (...)

Tempo atrás de tempo, que dá lugar ao tempo que há-de vir...

18.05.22, Maria
    Não há passado, presente, nem futuro. Há tempo! E lidar com ele conforme se consiga e ele permita. Depois, tudo passa. Alcança-se o descanso das tantas batalhas que perdemos e que ganhámos.  Atrás do tempo que define hoje, está tempo! Tempo e nada mais que tempo. Tempo é tudo que nos dão, com prazo de validade.  Atravessamos o tempo como quem cruza um rio. De uma margem à outra, reboliço no meio.  Possíveis bancos de areia, onde não convém encalhar, esperando nunca (...)

Maria!...

17.05.22, Maria
      Corria veloz, mais veloz que o vento. Largava a mão do pai e da mãe e disparava surda à repreensão na voz que clamava. — Maria! Ela bem os ouvia, mas não se detinha! Mirava entusiasmada os baloiços ocupados, aguardando que vagassem. Sem os perder de vista, subia ao escorrega. Descia e corria, para o Hidroavião. Com os baloiços debaixo de olho, de lá mirava o eléctrico e ponderava. Sair e entrar, puxar pela corda para ver se tocava."Tlim, talão", o eléctrico bradava.  (...)

O melhor que tenho, para entregar-te!

16.05.22, Maria
      Setúbal - Arrábida fotografia minha   Nunca verás com os meus olhos tudo o que te queria mostrar. Fotografo, para ti! E se me ofereces imagens, como não agradecer e interiorizar que com elas os teus olhos, vem também agarrados?   Como recusar fotografar e arquivar só nos olhos aquilo que vejo? Manter actualizado o que vi, o que senti, nesse instante? Mas como transferir-to, dizer-to? Se pudesses ao menos palpar a aceleração do meu peito! Tocar-lhe com a polpa dos (...)